quarta-feira, 23 de maio de 2007

Ventos que não sopram não são ventos.

Ultimamente tenho sido ultrapassado pelos ventos que não são ventos. As quatro paredes acomodaram-se às minhas idéias. Uma simbiose tão perfeita, que meus impulsos de criação se tornaram menores que o tempo de um orgasmo. Saudosismo estranho, de coisas que aconteceram num passado muito recente mesmo, ontem talvez. Essa mistura tão confusa que é difícil de explicar a você mesmo.

Sentar e ouvir minhas bandas preferidas tem sido um martírio pra mim. Minha vida é jogada toda em minha face como um turbilhão desordenado de coisas que não precisam de certa cronologia pra fazer sentido. Cada refrão é cortante. É solitário demais gostar além do permitido do que quer que seja.

Bem, fora isso, tenho a incômoda impressão que o tempo só não parou pra mim. Estão todos lá com sua inocência. Será que só eu vejo que a maioria das coisas não tem graça? Parece até que só eu faço aniversário. E pior ainda, todos os dias!Acabo permitindo-me aceitar que esse é um ano de reclusão. Na verdade eu queria que fosse um semestre de reclusão. Quem sabe eu deveria acreditar mais em mim. Repito pr mim mesmo: Ventos que não sopram não são ventos. Eu posso. Vamos! Run Forrest, run!

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Espelhos

Mecanicidade animalesca a que acostumamos e acomodamos todos os nossos sentidos e desejos, dos mais singelos aos mais sórdidos. Foi a única explicação que encontrei nesse universo de desculpas ínfimas pra me convencer da futilidade que é ainda querer-te.

Acreditamos sermos os melhores pra quem queremos que sejamos os melhores. Mas quando não há comprometimento, em todas as esquinas existem pessoas melhores.

Os poros se exaurindo em testosterona, e meu quarto escuro com medicamentos à base de lítio. Concorrência totalmente desproporcional.

Os rastros que você deveria deixar, estão sendo deixados por eles. Eles querem que você vá até a jaula. Mas você vai porque gosta. Gosta de sentir a ponta do seu útero tocada promiscuamente sem repetição de faces em êxtase. Deve ser por isso que você abomina espelhos.


terça-feira, 24 de abril de 2007

Garoto Argentina - A south american superhero!

A foice cortou seu pescoço
O martelo bateu a cruz de seu túmulo
Nesse mundo vermelho
Não há tempo nem espaço
Pra perceber o demônio.

Ele vem vestido de mulher
Com rosto de mulher
Ele é uma mulher
Vem falando de mudanças
E de orgasmos

Endurecer sem perder a ternura
Ela adora isso
Principalmente da rigidez
Ela só goza com dólar

Esqueça Fidel, esqueça Ernesto
Chame Nestor Kichner
Ele conhece Eduardo Duhalde
Que conhece Evo Morales
Que ama Hugo Chaves
Que morreu de egoísmo

Eu sou o Garoto Argentina
Aqui dentro de mim Venezuela minha menina.
Eu sou o Garoto Argentina
O maior super-herói de toda a América Latina

Pronto
Paridade um pra um
Agora ela te amará para sempre.

Endureça
Ela adora desse jeito
Mais, mais
Mas jamais
Perca a ternura!

quarta-feira, 28 de março de 2007

Escaleno

Guardemo-nos. Nós dois
Corre amor
O portão vai fechar
Vem depressa
Construí essa redoma pra nós
Não pare
Lá vem o fogo
Não, não pode.
Aqui só cabem dois
Nós dois.
Quem é esse aí?
Você quer que eu saia?
Mas fui eu... que construí isso!

.

.

.

.

.


Naquele momento
Eu estava tão doente
Que ainda pensei que coubessem os três
Mas fiquei do lado de fora
O fogo me queimou
Hoje...
Pode vir amor
Tanto faz
Não tenho mais nada que possa ser queimado mesmo!




domingo, 25 de março de 2007

Mais um, mais um, mais um!

É natal???
Não!
É Santa Claus que me traz o encarnado da derrota
Aquele tom de coisa ruim
Que me invade os sentidos
Que me lembra sangue
Que cheira a poder
A dinheiro.
Cheira a esperma consunido em busca de bens materiais.
Viva o natal!
Viva o vermelho
O vermelho de suas regras
Que te livram da promiscuidade de tuas incansáveis buscas
Por testosterona
E pelo prazer que o dinheiro te proporciona!
Ho ho ho

sexta-feira, 23 de março de 2007

Inquieto


Ando meio angustiado
Meu peito dói apertado
É uma saudade dolorosa de algo que nunca vivi
De algo que nunca senti, de algo que não sei o que é
É um medo de perder
Coisas que eu gosto
Vontade de chorar
Vontade de acender um cigarro
De beber até cair
De abraçar meu pai
De beijar minha mãe
Vontade de ter filhos
E me lembro novamente
Da saudade que me aperta o peito
É um prenúncio de paz, talvez
Mas não sei ao certo
E me bate a vontade
De até mesmo não ser quem sou
Me abraço então ao meu ecletismo
Cartola, Kurt Cobain,
Nelson Cavaquinho, Jhon Frusciante
Ataulfo Alves, Michael Stipe
Mestre Lupicínio Rodrigues, Frank Black
Pego meu violão
E despejo minhas lágrimas sonoras
Telefono pra um amigo
Mas nada da saudade passar.




quarta-feira, 21 de março de 2007

Cabeça baixa

Mais um passo
Mais um quarteirão
Mais uma faixa de pedestres


Mas outro sonho não vem


Mais uma faixa de pedestres
Mais um quarteirão
Mais um passo


Sento-me


A vida passa em minha frente
Mais pessoas envelhecem
Inclusive eu


Permaneço assim sentado
Calado
Observador
Até que eu levante novamente


Levanto


Mais uma faixa de pedestres